
“Tá batendo saudade da gente amor. To sentindo falta daqueles nossos encontros às escondidas meu amor. Eu gostava daquele “ima” que nos obrigava a estar sempre perto um do outro. Lembra quando você me mordia, e eu dizia te batendo que o odiava? Era mentira; amor era mentira, eu amava as mordidas, mesmo doendo, era gostoso; era uma dor suportável. Lembra de quando eu ficava de bico e fingia que você não existia quando tu me dava um novo apelido? Não acredita em nada daquilo, era só cena; por que toda a vez que eu fazia drama você vinha e me abraçava e dizia que me amava. Lembra de quando eu te botava pra fora do quarto quando a gente discutia e dizia pra tu nunca mais voltar? Não acredita em nada daquilo, era só medo de te perder por alguém, que provavelmente seria melhor do que eu. Lembra de quando o orgulho me dominava e eu sem pensar, te chutava pra fora de minha vida? Pois então, não leve a serio aquilo também, eu só estava mesmo carente, era lindo as coisas que me você dizia aos berros quando eu idiota por sinal, jogava suas roupas pra fora de casa. Lembra de quando eu deitava em seu colo aos prantos e dizia que não tava agüentando mais você e o mundo inteiro? Não acredita em nada daquilo também, era mais uma daquelas cenas com segundas e terceiras intenções. Amor vou te confessar uma coisa, eu adorava quando a gente brigava sério, sem mentira. As nossas reconciliações me faziam delirar, então, quando eu estava carente, eu já maquinava um motivo pra gente brigar. Mas amor o que aconteceu com o “a gente”? Nós brigamos como o meu – o nosso – script mandava, mas você foi embora, não voltou mais. Não to pedindo pra voltar, eu sei não vai ser a mesma coisa, então não volte se for pra ser diferente. Só queria dizer que bateu saudade, é bateu saudade daquilo nós éramos um para o outro.. só saudade.”- Objetivar

“O ponto negro”
Certo dia, um professor chegou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova-relâmpago.
Todos acertaram suas filas, aguardando assustados o teste que viria.
O professor foi entregando, então, a folha da prova com a parte do texto virada para baixo, como era de costume.
Depois que todos receberam, pediu que desvirassem a folha.
Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha.
O professor, analisando a expressão de surpresa que todos faziam, disse o seguinte:
- Agora, vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo.
Todos os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa.
Terminado o tempo, o mestre recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta.
Todas, sem exceção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha.
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor então começou a explicar:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco.
Todos centralizaram suas atenções no ponto negro.
Assim acontece em nossas vidas.
Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros.
A vida é um presente da natureza dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado.
Temos motivos para comemorar sempre!
A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá o sustento. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro!
O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um amigo.
Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente.
Pense nisso!
Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.”
No meu último emprego, quando pedi demissão, ouvi do meu chefe, também um grande homem em raras ocasiões: “Toda essa sua mania de ser louquinha e falar o que pensa, só vai te garantir um emprego fixo: banda de rock.”
Acho que todos têm razão. E venho tentando, com orações dadas pela minha mãe desesperada com meu jeitinho nada meigo, yoga, terapia, sexo, pilates, mantras e muita conversa com amigos em geral, ser uma pessoa mais equilibrada.
Uma amiga me disse: “Quem briga por tudo e quer medir poder com todo mundo, na verdade está tentando provar que não é um bosta, tá brigando consigo mesmo”.
Pura verdade, quando minha auto-estima está em suas piores fases, é aí que a coisa pega: fico com mania de perseguição, acho que tá todo mundo querendo foder comigo, que existe um complô universal contra a minha frágil pessoa. Meu ataque nada mais é do que a defesa amedrontada de uma menina boba.
Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio. Porra, se eu tô puta, eu tô puta! Se eu tô com ciúme, não vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida. Se o filho da puta que senta do meu lado é um filho da puta, eu não vou fazer política da boa vizinhança, eu vou mais é berrar e libertar essa verdade de dentro do meu fígado: você é um grandessíssimo filho de uma puta! Se a vaca da catraca do teatro me tratou mal, eu vou mais é falar mesmo que ela é uma horrorosa que não vê pica há anos, ou melhor, que a última pica que viu foi do padrasto que a estuprou!
O sangue ferve aqui dentro, e eu não tô a fim de transformá-lo num falso líquido rosa que um dia vai me dar um câncer. Eu não tô a fim de contar até 100, eu quero espancar a porta do elevador se ele demorar mais dois segundos, quero morder o puto do meu namorado que apenas sorri seguro enquanto eu me desfaço em desesperos porque amar dói pra caralho, quero colocar TODAS as pessoas do meu trabalho que falam “Fala, floRRRR!” ou “Precisamos disso ASAP” numa câmera de gás peristáltico.
Eu sou antipática mesmo, o mundo tá cheio de gente brega e limitada e é um direito meu não querer olhar na cara delas, não tô fazendo mal a ninguém, só tô fazendo bem a mim. Minha terapeuta fala que eu preciso descobrir as outras Tatis: a Tati amiga, a Tati simpática, a Tati meiga, a Tati que respira, a Tati que pensa, a Tati que não caga em tudo porque deixou a imbecil da Tati de cinco anos tomar as rédeas da situação.
Ela tem razão, mas é tão difícil ver todos vocês acordando de manhã sem nada na alma, é tão difícil ver todos os casais que só sobrevivem na cola de outros casais que só sobrevivem na cola de outros casais, é praticamente impossível aceitar que as contas do final do mês valham a minha bunda sentada mais de 8 horas por dia pensando o quanto eu odeio essa gente que se acha “super” mas não passa de vendedor de sabonete ambulante.
É tão difícil ser mocinha maquiada em vestido novo e sapato bico fino quando tudo o que eu queria era rasgar todos os enfeites e cagar de quatro no meio da pista enquanto as tias chifrudas bebem para esquecer as dúvidas ao som de “Love is in the air”.
Parem de sorrir automaticamente para tudo, humanos filhos da puta, admitam que vocês não fazem a menor idéia do que fazem aqui. Admitam a dor de estar feio, e admitam que estar bonito não adianta porra nenhuma.
Eu já me senti um lixo de pijama com remela nos olhos, mas nunca foi um lixo maior do que me senti gastando meu dinheiro numa bosta de salão de beleza enquanto crianças são jogadas em latas de lixo porque a total miséria transforma qualquer filho de Deus em algo abaixo do animal.
Mas eu não faço nada, eu continuo querendo usar uma merda de roupinha da moda numa merda de festinha da moda no meio de um monte de merdas que se parecem comigo. Eu quero feder tanto quanto eles para ser bem aceita porque, quando você faz parte de um grupo, a dor se equilibra porque se nivela.
E eu continua perdida, sozinha, achando tudo falso e banal. Acordando com ressaca de vida medíocre todos os dias da minha vida.
Grande merda de vida, você muda a estação do rádio para não reparar que a menina de dez anos parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você dá mais um gole no frisante para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado.
Você disfarça, a vida toda você disfarça. Para não parecer fraco, para não parecer louco, para não aparecer demais e poder ser alvo de crítica, para ter com quem comer pizza no domingo, para ter com quem trepar na sexta à noite, para ter quem te pague a roupa nova e te faça sentir um bosta e para quem te pede socorro, você disfarça cegueira.
Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho. Vão querer te encarcerar numa sala escura e vazia, ninguém quer ter um conhecido maluco que lembra você o tempo todo da angústia da verdade e de ter nascido. Você passa a vida cego, mentindo, fingindo, teatralizando o personagem que sempre vence, que sempre controla, que sempre se resguarda e nunca abre a portinha da alma para o mundo. Só que a sua portinha um dia vira pó, e você morre sem nunca ter vivido, e você deixa de existir sem nunca ter sido notado. Você é mais uma cara produzida na foto de mais uma festa produzida, é um coadjuvante feliz dessa palhaçada de teatro que é a vida.
Você aceitou tudo, você trocou as incertezas da sua alma pelas incertezas da moça da novela, porque ver os problemas em outros seres irreais é muito mais fácil e leve, além do que, novela dá sono e você não morre de insônia antes de dormir (porque antes de dormir é a hora perfeita para sentir o soco no estômago).
Você aceita a vida, porque é o que a gente acaba fazendo para não se matar ou não matar todos os imbecis que escutam você reclamar horas sem fim das incertezas do mundo e respondem sem maiores profundidades: relaaaaaaaaaaaaaxa!
Eu não vou fumar, eu não vou cheirar, eu não vou beber, eu não vou engolir, eu não vou fugir de querer me encontrar, de saber que merda é essa que me entristece tanto, de achar um sentido para eu não ser parte desse rebanho podre que se auto-protege e não sabe nem ao certo do quê. Eu não vou relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.
A única verdade que me cala um pouco e, vez ou outra, me transforma em alguém estupidamente normal é que virar um louco selvagem que fala o que pensa, sem amigos e sem namorados, só é legal se você tiver alguém pra contar o quanto você é foda no final do dia.
"Carta para um ex amor, O5/O5/2O11:
Querido, você não sabe como sou grata pelos seus chifres. Como sou grata por ter falado coisas de mim, aliás inventado tudo aquilo dizendo que fez e o que não fez pro seus amiguinhos. Mas grata ainda sou, por ter ido embora e com os simples dizeres de ”Acabou, não gosto de você como antes. Quero terminar” Isso só mostra o quão incapaz você era de ter falado algo mais doloroso, que acabasse comigo afinal era isso que você queria. Acabar comigo, me deixar mal. Mas você não sabe que o que era teu, além do meu amor, esteve guardado esse tempo todo. E o pior ainda estar por vir. Não estou querendo ser vingativa, mas você vai provar do seu próprio veneno. Porque quem ajoelha, tem que rezar não é mesmo? Você, logo você que sempre disse que odiava atitudes infantis, que já era bem grandinho pra isso e aquilo, que já era um homem verdade. Percebi que não era. As atitutes que teve são de moleques, babacas por sinal. E vê se aprende dessa vez, que mulher não se conquista dizendo ”Você é tão gostosa, só tenho olhos pra você.” E que mina que tu pega numa noite, não vai querer teu telefone, muito menos teu endereço. Pois são bem espertinhas e sabem que homem de night, não vale nem o pão que come. Mas a otária maior nessa história fui eu, não nego. Apesar de eu ter chorado pela tua ida, hoje sorrio por estar bem longe de ti. E eu to cagando se fui chifruda ou não. Porque eu em parte, acho que chifres trocado não dói não é mesmo? Se eu fosse você, tomava mais cuidado ao passar por uma porta, pra não ficar preso. Ou ir numa casa que o teto é muito baixo, pra não bater com teus chifres. Agora se eu fosse tu ficava bem mais esperto com quem tu chama de amigo, ou melhor amigo. É só um conselho… De amiga, que um dia sua fui. Olha você por um tempo disse que me amava e eu burra como sempre, acreditei. Bom, mas você não sabe, só aceitei seu pedido de namoro por pena, pois todos diziam que você gostava realmente de mim e eu poderia ter mudar, te tirar dessa vida de ”cachorrão” pois bem, achei que tivesse conseguido… Mas nesse tempo, me apaixonei por você. Tentei te mudar pra tua melhoria, fiz esse favor por você e ainda me apaixonei. E o que no final levei em troca? Chifres. Mas sei que você perdeu, perdeu quem te amou de verdade, perdeu quem entrou na sua vida pra te completar. Mas foda-se, perdeu mesmo, não valorizou. Mas agora aprende, assim como eu tive que aprender. Chifre trocado não dói.
"Mas para ser feliz, não é necessário tanta coisa assim (…)